A equipe do CURAT acredita que os sintomas não são nossos inimigos.

O Consultório Unificado de Recursos da Arte Terapêutica (CURAT) nasceu em 2006 como um consultório médico que, ao sair da área de atuação mais específica, migrou para uma medicina voltada para a individualidade e a multidimensionalidade de cada pessoa e seus adoecimentos. Para isso, precisou agregar 26 anos de prática médica e profissionais de outras áreas do conhecimento em saúde, com as diferentes técnicas existentes. A complementariedade de recursos se faz necessária diante da complexidade crescente que tanto adoece pessoas, famílias e sociedade em geral. Seja para a busca da cura, seja para a manutenção da saúde, grande sinergia se faz cada vez mais necessária! Compreender os caminhos que levam ao adoecimento e à cura, é uma meta de todos os envolvidos ao longo desses anos de atividade! Afinal, os sintomas não são nossos inimigos, apesar de tanto desconforto causarem! São eles que nos apontam a direção da retomada do cuidado e da Saúde!

Missão e Valores

Viabilizar o modelo de promoção e manutenção da saúde por meio de uma abordagem que contemple a unidade física, psíquica e espiritual do indivíduo, e o modelo multidisciplinar com parcerias ativas e corresponsáveis que estimulem o processo de valorização da saúde e vida humanas.

Cuidar para curar; Ética; Corresponsabilidade; Vínculos construtivos; Complementaridade de recursos para a saúde; Respeito; Honestidade.

A MEDICINA DA PESSOA E AS DIMENSÕES HUMANAS

Apesar de todos os diagnósticos e todas as melhorias que puderam ser incluídas ao longo do tempo, sempre teremos o INDIVÍDUO (indivisível) e a sua história de vida a serem considerados no processo SAÚDE/DOENÇA. Esse detalhe interfere positiva ou negativamente em cada caso atendido, e no CURAT, ele merece consideração especial; afinal, somos seres multidimensionais, além da biologia. Com todo avanço tecnológico, esse ser complexo e multidimensional, pode ficar relegado ao segundo plano e, apesar de exames normais, os comportamentos e as sensações subjetivas de bem-estar, nem sempre acompanham os resultados ditos “normais” que apontam para a saúde. O físico Amit Goswami, pode nos ajudar a compreender esse modelo, onde instâncias e recursos físicos e não físicos, precisam ser incluídos no dia a dia dos atendimentos.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES / ARTIGOS

A coluna vertebral é um desafio para médicos e pacientes com suas dores e limitações e também com a sua incrível capacidade de nos manter eretos contra a lei da gravidade que nos empurra para baixo. E ela é fonte de múltiplos problemas, desde os mais meramente disfuncionais, aos altamente incapacitantes para o trabalho e para os afazeres da vida cotidiana. Ao longo da caminhada, aprendemos que as mazelas começam no esforço para parar de pé nos aspectos da arquitetura corporal (já que nascemos e demoramos um ano para vencer as limitações e dependências) e também na manutenção da identidade que montamos com muito esmero, mas que nem sempre faz com que tenhamos boas atitudes com a nossa própria pessoa, com o outro e com a vida. Dificilmente um caso clínico qualquer não deixa de estar envolvendo a coluna, pois os músculos, vértebras, articulações, humor e emoção, respiração e vitalidade das vísceras muito dependem da boa estrutura vertical na sua forma e função.

Homeopatia, alopatia, fitoterapia, MEDICINA geral VOLTADA À PESSOA E À FAMILIA, Modulação Intestinal, Postura e Movimento (grupo), Meditaçaõ e Relaxamento( grupo ), FATORES DE AUTO-ORGANIZAÇÂO (BIO fao) - www.institutobiofao.com.br

P U L S A R E – práticas corporais orientais (Rosangela Accioli e Luiza Yoko)
S A L - Sueli A Lelis e equipe (psicoterapia, fonoaudiologia, psiquiatria)
Beatriz Rillo (fisioterapeuta)
Fernanda Soriano (fisioterapia)
Delfim e Fabiana Calderolli (psicoterapia e psicopedagogia)
Marcos Miaciro (fisioterapia)
Dimas Calegari (curso de psicoterapia reichiana)
Ana Ines Kùller (fisioterapia)
Vera Domene (fisioterapia)
Eduarda Ramos (Reiki e Shiatsu)
Rodrigo Barrios (Acupuntura)
Ana Laura Azuma (psicoterapia)
Rita de Cassia Alves (acupuntura)

Repetir e insistir ou desistir e avançar?

A repetição do cotidiano restritivo gera queixas repetitivas nas consultas e poucos movimentos criativos acontecem para construir algum bem estar físicos e não físico ( espera-se se sempre um remédio remediador) nesses tempos incertos , com excessiva informação que mais confunde do que esclarece! Surgem tantos influenciadores porque há muita população influenciável! Ao reclamar da repetição precisamos lembrar o quanto o nosso comportamento foi condicionado por um conceito de sucesso que aponta o topo da pirâmide, através do caminhar, com muito afinco repetitivo (ás vezes em círculos), o passo a passo indicado até idealizado “chegar lá”. Esse caminho deve ser trilhado por alguém "muito especial” que talvez precise ir além do humano (que todos somos ,desde o começo e que seremos até o final da biografia). Tudo começa na tenra infância onde atender o que terceiros esperam do bebê é a grande solução para que ele tenha suas necessidades e desejos atendidos por pessoas que ele diviniza. Depois se decepciona e deveria sair pela vida, rumo a um aprendizado sobre suas responsabilidades sobre suas saciedades, agregando ideais e projetos que precisam de ação disciplinada para sentir se capaz e validado. Deve assumir a dor e a delicia de ser agente ativo, predisposto a aprender sobre si mesmo ,sobre o outro e sobre o manejo do mistério da vida. Sair das decepções e rumar para as habilitações pró “saúdeS” deveria ser hábito cultural, mas o usual não é sair do treinamento inicial habilitado para gerenciar as inexoráveis decepções. Elas começam com família, são deslocadas para outras formas de corporações e a repetição da mesma fórmula inicial (que é incentivada rumo ao “sucesso”) somente faz acumular lixos danosos (na biologia e na emoção). Mas como em todo hábito, automaticamente a busca por soluções onde o esforço é voltado ao externo para que de lá venha a validação e inclusão no grupo (que nunca chegam) é estimulada o tempo todo. O circulo vicioso da neurose nossa de cada dia gera apenas um eterno conflito dentro de cada um e um imenso cansaço .Com isso a vida se esvai na repetição e no adoecimento enquanto o esforço e o persistir nas ilusões continua francamente estimulado . Quase impossível desistir do que nos adoece . Com toda uma cultura voltada ao externo, esse externo insiste em positivamente estimular o esforço no ser feliz que viria de fora, e educar para manutenção das ilusões que somente às crianças é permitida. Até elas acabam por cair na tristeza e raiva de perceber que os humanos falham no que prometem .Mas também é com essa decepção que abre se a porta do desenvolvimento para dar conta do viver. Esbravejar, chorar e entristecer se para aprender a sair das expectativas irreais... assim poderia ser a digestão das decepções. Até abelhas e moscas, depois de muito lutar com as vidraças, param de teimar com aquele obstáculo transparente que se apresenta e impede o vôo. O caminho criativo se abre quando se reconhece o esgotamento da estratégia do “hei de vencer” ilusório gerador muita dor e raiva sublimadas pelo insistir às cegas em condicionamentos com prazo vencido. Seja por ingenuidade ou vaidade infantis( fora de hora), teimosia ou preguiça, seja pela educação que informa demais e habilita de menos, muita repetição do velho modelo que forma meros consumidores passivos ainda vai persistir e adoecer muita gente. Mas o aprendizado do desistir das ilusões já está presente e disponível para muitos. Brindemos !!!

As “Burcas" do islã!

Todos sabemos da tradição islâmica e suas peculiaridades sobre as relações com Deus, com o mundo e em especial com o feminino! Não há como nosso conjunto de conceitos culturais ficar isento de julgar e desaprovar aquilo que impede a expressão livre das mulheres e da energia feminina diante de um conjunto de valores e preceitos que são validados e incentivados como caminho de redenção para a nossa precária condição humana. Esquecemos que temos também nossas esquisitices que prometem redenção e que elas poderiam merecer estranheza assim como vemos com estranheza os caminhos do oriente islâmico! Recentemente uma família pôde curar se um pouco mais diante daquelas coisas que só a vida sabe fazer e só os mais conectados com o que vivem, vêem, ouvem e sentem podem usufruir! Numa cena trivial onde os homens da casa, irritados com o fato da moça da casa estar sem trabalhar e no “bem bom”, precisaram ser impedidos de agredir o feminino que tinha passado por um esgotamento para dar conta de um trabalho abusivo por si mesmo e agravado pelo modo que ela precisou encará-lo. Não era folga. Era restauro depois de um quase colapso por esgotamento, mas incomodava os esforçados homens da casa. A redenção veio pela força física da mãe que pôs o devido limite e ,no momento “M” que fazia esse gesto, viu na TV ligada a noticia dos absurdos islâmicos anunciados pelo noticiário do Afeganistão. A própria mãe tinha vivido as restrições do seu feminino pelo caminho oposto ao da filha- dedicando se total e exclusivamente ao masculino do marido .Também esgotada e frustrada adoeceu tal como a filha que fez o oposto e caiu no mesmo engodo cultural! Naquela hora ela pode se dar conta dos valores que abusam da energia feminina que habita homens e mulheres ocidentais como burcas invisíveis que proíbem o sagrado respeito à vida de homens e mulheres pela capacidade de receber e também dar a si algo de restauro, repouso e aconchego para fazer o contraponto a uma energia à masculina que ,supervalorizada, esgota homens e mulheres pelo esforço continuado . Tudo com a promessa de recompensa com produtos de ordem material ou com status ilusório no mercado de trabalhoa degenerar a saúde física e mental e relacional de toda uma sociedade (em especial de crianças que aprendem desde cedo sobre privação do direito de receber a dedicação ,carinho e o tempo que todos precisamos, em especial no inicio da vida. Enquanto isso também são educadas pelas telas e influenciadores que enfatizam que “imagem é tudo “ e escapar do que sentem e idealizar identidades ser a grande saída. Tudo com a promessa do esforço( que antes era apenas para os homens nesse infindável “dar conta”) de oferecer segurança material pra ter poder. Agora homens e mulheres precisam fazer isso . As mulheres com falsa força vivem no mercado na bisca da autonomia escapam da opressão das relações e caem na opressão da competição pelos cargos . Perderam o amor por elas mesmas e pelas suas crias que estão entregues às telas onde terceiros vendem a cultura contraria ao zelo pela vida para alimentar mercados. A burca oriental é negra e oculta a liberdade e beleza do feminino -ressalta apenas os olhos e o que eles expressam . Por aqui ela é enganadoramente luminosa e colorida mas escurecedo brilho dos olhos de homens e mulheres que não podem ter tempo e espaço para produzir menos e viver mais e nem enxergam a dita cuja. Que o tempo e as crises nos mostrem um caminho mais saudável para que possamos pulsar e manter a vida entre demandas e repousos do corpo, da mente e do espirito deixando de lado o que absorvemos como conceitos de sucesso que na verdade é o nosso maior fracasso.

Primeiro o essencial! Sempre.

A cada dia o volume de trabalho aumenta e as demandas são cada vez mais gritantes no sentido da retomada do essencial para todos os setores do viver. em especial na saúde, fortemente ameaçada nos dias de hoje, seja pelos inúmeros elementos do mundo físico a agredi-la seja pela atitude mental atormentada que o mundo da informação, com supostas boas intenções , acaba por gerar o pior e primordial dano( pelo excesso e pela confusão de tantos a falar incansável e contraditoriamente) A noção do efeito causal nas manifestações da saúde física e não física ficou por demais esquecidas (quando o ritmo alucinado de produção de bens de consumo para poder consumir bens de consumo e alimentar a roda da vida de terceiros) e apenas a saciedade de satisfações imediatas ganhou validação como elemento importante para estar fazendo parte, o grande anseio humano desde os tempos primordiais. Ao lutar tanto para fazer parte da roda anti vida, excluiu o essencial para ficar vivo e perceber se como responsável passivo pela imensidão de mazelas, dores e sofrimentos que apenas sinalizam a emergência de retomar o básico para depois, caso seja possível, entrar na validação do consumo exagerado com todo o custo de tempo, dinheiro e energia que ele exige. Como validar a mera supressão de sintomas como caminho válido para tratar se ou ser cuidador se a cada dia mais aumentam os consumos de anti isso e anti aquilo e tudo apenas piora? Parece que a vida está clamando por correções do cidadão, mas ele está treinado a passar por cima de si mesmo e das regras do bem viver, pois o senso exagerado de Eu (que busca o sucesso idealizado) gera uma desconexão brutal de si mesmo, do entorno e da sua inserção na vida como a grande e primeira autoridade a ser respeitada para que se comece a conversar sobre saúde e bem estar. Na base do que é essencial está à lembrança de que somos seres biológicos que precisam de comida e água que entrem e saiam do nosso sistema para nutri-lo, sono e vigília, ar que entra e sai do organismo, movimento e repouso... Não basta quantidade, mas sim qualidade para gerar energia pelo metabolismo também acontece nos aspectos não visíveis de cada um. Com ideias, relações e atitudes intoxicantes fatalmente o todo acaba intoxicado e a ciranda de sintomas vai aparecer com graus cada vez mais intensos e abrangentes até que a saúde mental se abale e depois dela o corpo físico comece com suas disfunções e diferentes graus de lesão. Tudo isso pode ser curado de acordo com o que se entende por cura, mas, com certeza percebemos que não é apenas correr atrás de dar conta de desaparecer sintomas sem cuidar da sequencia que gera consequências. O caminho mais adequado é o mais evitado porque pede percepção antes de qualquer coisa e depois pede comprometimento para trilhar um novo patamar e isso é muito difícil quando falamos de vícios- sejam eles aqueles que nos vemos outros , sejam quando somos chamados a olhar para os nossos). Vale para todos a lembrança da revisão do que a grande e genuína autoridade pede de todos nós e vale apostar num caminho medico onde o convite seja sair do endeusamento do supérfluo, ainda que não seja o caminho validado pelo mundo das telas e seus produtos ... Essenciais para quem os vende!

Qual Cultura escolho validar quando a abertura chegar?

Não temos mais dúvidas que para além de toda parafernália de informação montada para leitores, eleitores e expectadores existe um recado silencioso de quem precisou bater na mesa para se fazer ouvida - a própria vida! Há tempos a vida tem sido afrontada em práticamente todos dos itens dessa cultura das telas e da propaganda de massa onde uma autoridade sem rosto ,mas com muita influência, substituiu valores que eram vigentes nos pequenos países , povoados e famílias e geravam a cultura local com suas mazelas, limitações e atrasos mas com mais respeito ao básico dos básicos – o outro ( familiar, vizinho, membro da comunidade) e a teia da vida . Da imensa diversidade de estilos de vida (ainda que sob a egrégora da energia masculina e suas metas de controle luta e conquista) ficamos reduzidos a um estilo único a ser validado para que a inclusão social pudesse acontecer . Nesse estilo o “eu” foi por demais incentivado , cultuado e pressionado a brilhar acima da manada de outros “eu”s tendo como base a idealização de personagens que validaram em excesso a imagem a ser vendida para o outro excessivamente vinculada à capacidade de consumo de bens materiais para sentir o almejado bem estar, fonte da saúde. O bem estar só poderia vir quando o “eu” tivesse os tais produtos que a propaganda validava e também a admiração ( invejosa) a brotar no olhar do outro – ás vezes sofrendo ao se ver fracassado, às vezes enraivecido por sentir-se menor e excluído e , na grande parte das vezes ,motivado a perder também a vida para ter um lugar na vitrine do sucesso preconizado. Nunca foi vendido junto com a ilusão de sucesso o preço embutido na promoção do “ser especial “, sua majestade: O consumidor voraz de necessidades nem sempre necessárias . Também não foi vendido o mal estar causado por tanto esforço para viver e “chegar la” e ficar sempre aquém. Além do preço individual e familiar houve um imenso preço coletivo (a ser pago por muito tempo ainda) já que senso de comunidade ficou para os menos favorecidos que buscaram sucesso em atividades dentro e fora da lei e quase sempre movidos pela raiva e violência! Fora esse agrupamento vingativo e também oprimido pelas difíceis emoções da exclusão não existe mais senso de grupo nas casas, quarteirões e cidades. Com um pouco de cultura e dinheiro o isolamento tornou- se a opção diante de tanta competitividade com os do mesmo “nível” e o “perigo” dos que estão no nível abaixo. Com isso a psiquiatria e as drogas ilícitas são a opção para a mera sobrevivência num mundo com estética especifica- tudo é belo e liso, mas sem vida. Já estamos nessa pausa forçada há mais de um ano e ,se ainda estamos vivos, impossível deixar de priorizar foco em nós mesmos para sanar lixo cultural assimilado que serve à não vida e que (sem perceber )validamos de modo exacerbado há 50 anos pelo menos. A cultura que serve à vida sabia que sem sustentação não há como o “eu” (que está por aqui por um tempo) dar conta de sobreviver. A vida pede para ser lembrada em toda sua complexidade para manifestar-se a partir de projeto que vem do mundo não visível. Quando as diferentes instâncias humanas ( físicas e não físicas) não são consideradas não há como ir adiante e não será por determinação de corporações que o esquecido será contemplado - vai ser pela colheita das consequências da cultura inconsequente vigente até há pouco e pelo trabalho de cada ser humano que coloca- se a caminho de cuidado de si mesmo e do seu entorno.

Evitar as dificuldades, a grande meta!?

Cansei de ver o “consumidor” abandonar os tratamentos que “compra” para sentir-se melhor! Claro que em outros tempos isso era motivo de preocupação, irritação ou insegurança por trabalhar em medicina não convencional. Vivi um episódio curioso onde optei por sair de um hospital porque alguns pacientes foram reclamar pelo tratamento .Ele fazia com que chorassem e não era para isso que se tratavam! Hoje é motivo de riso, mesmo sabendo que a liberdade é algo sagrado para o individuo que pode fazer escolhas, até quando ele está engolido pelo “consumidor”, essa espécie de personagem coletivo difícil de ficar no seu lugar, ou seja: ser apenas uma faceta do humano que tem desejos e acredita que produtos resolvem suas questões e vai lutar para sacia-los! Talvez tenha adoecido exatamente por ter deixado o desejo de consumir( até consumir-se) para tornar se “pop” ser o grande motivo de seu viver. Toda energia foi colocada nisso até os sintomas começarem a atrapalhar o sonho da realização pelo viés material obtido. Eles sinalizam o quanto intenso foi consumo de energia ao atender o que esse estilo de vida “pede” em nome de suposto sucesso e sempre deixa a desejar... A cada sintoma que surge, algum produto contra ele deve ser utilizado, com alta tecnologia e custo, mas, com efeito sempre limitado. Novos sintomas surgem como luzes no painel do carro a avisar que o motor precisa de atenção! Produtos( e as ideologias fazem parte deles também ) para todos os bolsos e cabeças aumentam dia a dia... Decepções com eles também... mas insistir é a tônica que fortalece quem os oferece já que evitar o “difícil” é a meta do consumidor( voraz) consumido. Se a politica de mal estiver em diferentes níveis de cada individuo ( mascarado pelo consumidor voraz que nele habita ) é o incentivado, a política de cuidar de si é um caminho útil, mas ele é exatamente o que não foi o mais trilhado até aqui. Esse caminho pede que a terceirização sobre o que devemos fazer seja evitada e a cultura do olhar sobre si seja matéria prima para a saúde ser mantida ou restaurada. Se buscar esse caminho de tratamento, além da vitrine idealizada vai encontrar com um manancial de insegurança, tristeza e raiva pelas decepções que seu esforço por uma vida ideal lhe causou apenas por ter dado muito poder a autoridade externa e acomodar se no cuidado básico do viver que todos os seres vivos consideram dia e noite. Abandonar tratamentos onde as dificuldades essenciais são mascaradas é um bom caminho para os dias de hoje. Já estamos dando nos conta de dificuldades mais complexas construídas por essa opção . Aos poucos poderemos entender que o melhor modo de minimizar as dificuldades do viver é reconhecê-las e dar atenção ao desenvolvimento de responsabilização pelo bem estar, através da ação que está voltada ao que sentimos ser necessário e não mais ao supérfluo tão incentivado até aqui. Nesse trajeto, a grande dificuldade talvez nem seja reconhecer das dificuldades em si, mas colocar se diante do manejo do vício profundamente arraigado de evitar a dureza da vida que os antepassados tiveram - aquilo foi considerado pobreza e fracasso, próprios de “gente rude e ignorante “- mas existe algo mais pobre do que gastar uma vida para ter todos os produtos meramente materiais do sucesso idealizado sem chegar bem estar, seguindo o que o que o externo determina”“?

Quanto mais recursos externos melhores resultados?

A cena é tragicômica pois o jardim dava trabalho com sua manutenção. Com tantos afazeres o mato crescia, as mudas ficavam sufocadas e o sol não atingia quem precisava dele já que as sombras só aumentavam com o mato e as plantas do jardim. Quando as ajudas vieram para tudo ficar melhor o desastre aconteceu e a coisa ficou feia porque os solícitos ajudantes, com muita boa vontade, vieram para deixar tudo melhor que antes a qualquer custo. E o pior: era para ser uma surpresa para a dona do jardim já exaurida com tantos compromissos externos, sem tempo para nada e sofrendo ao ver o mato tomar conta daquele belo espaço de meses atrás. A surpresa veio e foi às avessas porque no afã da ajuda, mudas plantadas que começariam a crescer foram cortadas junto com as ervas daninhas e galhos que estavam para florescer foram para o lixo. Isso sem contar com as amoras verdes que foram abortadas antes de amadurecer ...exatamente como no ditado antigo onde joga se a criança junto com a água do banho .... A cada dia casos assim acontecem na saúde (física e não física) de cada um quando o foco do olhar não é nítido e os males tornam se cada vez mais intensos e variados.... São tantas prioridades (nem tão prioritárias assim) que o essencial fica para trás já que o mundo suga tempo e energia de modo avassalador de donos de jardim e das equipes solucionadoras de problemas com altas notas de capacitação. Obviamente os sintomas surgirão (como sinalizadores de que a vida está sendo maltratada, desde o básico ao mais sutil) e haja especialistas especializadíssimos para dar conta do que está interligado nessa cultura contrária à saúde. Eles são mesmo ótimos para que sejamos acudidos e liberados de desconfortos que nós mesmos construímos sem que nos déssemos conta…O mato cresceu e alguém vai dar jeito nisso! O especialista em podas vai enxergar galhos para serem cortados mas pode esquecer o que estava para florescer ali... o especialista em capinar vai com sua enxada afiada cortar o que aparecer pela frente e quase nunca diferencia o que é mato do que é muda plantada com vistas a uma colheita…lá se vão todos para o mesmo lixo e tudo fica limpinho...até demais. Se nossos antepassados sofriam por falta de recursos, tinham pelo menos doenças mais simples porque “céu” confortável ilusório onde tudo pode estar à mão não existia ( quando veio, nos deixou acomodados, preguiçosos demais) e a vida não permitia esquecer do cuidado essencial. Podia custar a perda da vida o desleixo com o cuidado de si. Nós temos excesso de informação e recursos e estamos mais adoecidos que nunca – com doenças complexas que pedem especialistas especializadíssimos para que não entremos no colapso mortal ...Pena que eles e nós mesmos ainda não nos demos conta de que essa rota nos deixa vivos, mas com péssima qualidade de vida - pouca vitalidade, apesar de tanto custo material e não material – quase mortos vivos. A vida idealizada como perfeita pode ser muita árida e doentia enquanto está sendo aparentemente um sucesso e a vida relativamente imperfeita pode ser muito interessante quando usamos o lado bom da imperfeição para deixar o descuido de atenção ao não essencial de lado para validar o ritmo e ciclos de um jardim que não é o das páginas da revista mas recebe os cuidados frequentes .Assim há espaço para que a vida ali se manifeste com “matos” que fazem parte (mas não devem tomar conta de todo espaço) e até ajudem a manifestar o que queremos floresça dentro de seu tempo e ritmo somados aos projetos e cuidados aos quais nos dedicamos com carinho....Afinal , equipes de manutenção podem ser desastrosas , apesar das boas intenções .

Trabalho focado no cuidado.... Ou então, trabalho dobrado!

Vejo anúncios de reflorestamento, de mudas disso de daquilo e reportagens sobre o restauro ambiental. É impressionante o trabalho do Sebastião Salgado (*) no sitio onde ele nasceu. Ambientes degradados pedem uma fortuna recursos materiais e de tempo para que a vida retorne e fique forte no espaço da terra que deteriorou –se com a exploração consciente ou não dos recursos. Às vezes penso no interior do estado de São Paulo como um enorme deserto como os do centro do América do Sul pois da floresta original, à colonização dos imigrantes com a agricultura de muitas culturas chegamos ao imenso canavial e pastagens com a vida minguando a olhos vistos ... Atendo pessoas há 42 anos e vi tudo avançar para melhor aparentemente e também muita coisa complexa surgir e afetar a saúde física, mental e espiritual. Vi as pessoas terem mais tempo de vida, mas vi também que a penúria de qualidade aumentou muito, mesmo para quem tem recursos para bancar um universo de demandas sem fim. Observo como é cada vez mais raro alguém que se dê conta que há uma cultura instalada de desconsideração pela vida que precisa dos sintomas como sinalizadores dessa distorção vigente há pelo menos 50 anos de modo cruel sobre famílias e todos grupos sociais. Observo como do mero desconforto inicial (dos adoecimentos mais simples) que foi desconsiderado e apenas anulado para não atrapalhar o consumidor voraz (ávido pela inclusão como gente de bem porque produz e compra produtos) temos agora o enfrentamento das consequências do efeito dominó de uma força de vida que precisa fluir a qualquer custo já que essa força não pode ser domada pelo mundo do consumo desenfreado e pelo trabalho que tem apenas o foco comercial para conforto material como paraíso . A área de saúde ganhou tecnologias incríveis, super especialidades em cada área de atuação profissional, inúmeros recursos científicos (ou nem tanto) para dar conta de restaurar o almejado e desconsiderado bem estar físico e não físico que são as marcas registradas do que se aproxima da saúde. E haja trabalho (parecido com o enxugar gelo)! Aí observo de novo a falta da inteligência de quem abre mão da própria inteligência para fazer sua vida ficar viçosa e sedeixa levar pela sábia indústria do marketing que ,desde os anos 60, percebeu o quanto o ser humano pode ser "estimulado” a confiar em terceiros que lhe prometam o caminho mais fácil, com pouco comprometimento pessoal ,( exceto para ser Pop), movido pelas ilusões emocionais vinculadas ao que consome- muito além de necessidades.A vida foi massacrada para atender desejos que geralmente estão adequados ao mundo infantil e não ao do adulto. Haja trabalho de restauro, como o do Sebastiao Salgado!!! - não mais um trabalho sem sentido, apenas para alimentar o mercado de consumidores que se consomem( sem validar a inteligência que serve à vida e promove mais saúde do que doenças em cada indivíduo - e não mero consumidor) ,não mais relacionamentos pessoais e ambientais desbalanceados e sem sustentabilidade do viver saudável. Esse ambiente externo serve de espelho da nossa desertificação como seres humanos e pode melhorar quando cada um de nós melhora quando se volta ao cuidado de si e deixa de terceirizar o que é seu dever para com a sua vida. Tanto falamos de amor e nos distanciamos do trabalho de restaurar essa energia de modo concreto em ações vivificadoras em nossos mundos físicos e não físicos, pessoais e coletivos. Trabalhemos como os imigrantes trabalharam um dia, com toda raça que precisaram demonstrar para desbravar e sobreviver. Mas com foco em outra meta, talvez mais custosa! Trabalhemos, um no que nos vivifica e restaura para , de novo, sobreviver a uma cultura que se consumiu enquanto apeas consumia pessoas e ambiente!!!

razoesparaacreditar.com/casal-planta-milhoes-arvores

Sobreviver, “ Morrer” , Renascer e Viver

A medicina e as estratégias de sobrevivência de todos nós, meros mortais, são paradoxais ,contraditórias e incríveis. Clamam por compreensão para que sejam reconhecidas em suas funções , validadas ou descartadas de acordo com a adequação ao momento da vida e o que ela pede . Sem esse passo , saem da extrema utilidade e vão direto ao extremo dano! Toda criança precisa ficar viva e faz o que pode, dá certo mas adoece ao longo do processo! Entorta-se tanto para se adaptar que precisa ficar com as dores do entortado! Os sintomas surgem e a medicina corre atrás deles . O doente quer se livrar e ela quer cooperar com o livramento já que aliviar a dor e evitar a morte são atos nobres e de alto valor no mercado– quanto mais corre se atrás do sumiço do mal estares, mais complexos eles se tornam porque a coisa é como luz de alerta no painel do carro- se a função de sinalização da luz não é atendida e ela é apagada com um bom band aid ( ajuda) o carro vai perdendo função e acaba parado na rodovia Essa incrível capacidade de dar conta para ficar vivo e criar mecanismos criativos é admirável em nossa espécie ! Uma transgressão ao fluxo da vida, onde estratégias de conforto e segurança são percebidos por uma capacidade do pensar, gera uma estagnação muito adequada num primeiro momento, mas também gera adoecimentos, avisando que passamos do ponto ou do tempo de validade do recurso. Abençoado adoecer que manifesta o sofrimento da vida em contenção para ter suposto sucesso com a segurança aparentemente obtida .Por medo ou vaidade esquecemos de ver se hoje é ainda preciso fazer o que fizemos há algum tempo e essa adequação de estratégia faria um enorme bem a saúde física e não física..mas vicio é vicio , mercado é mercado e repetimos indefinidamente tais estratégias , com a ajuda dos recursos “curativos “ que nos ajudam a ficar na apenas sem vida saudável como indivíduos , apenas consumindo e gerando recursos voltados e oferecidos por terceiros. Incrível a capacidade criativa de cada um de nós e da dita sociedade... incrível também a capacidade de , por medo ou vaidade , fixar se no que deu certo para sobreviver e também gerar sobre vida das corporações facilitadoras do alívio das mazelas. A repetição da busca infantil de segurança ( material e emocional ) gerou a grande doença social onde o” normal”é ser doente , há pelo menos 50 anos .Agora é hora de morrer de fato ou então morrer enquanto repetidores de estratégias fora de tempo e de realidade ! Cada um está sendo insistentemente chamado a revisões para começar a validar o que é essencial para que sua vida se mantenha com saúde , sem a terceirização sobre a vida na responsabilidade do atendimento de suas necessidades (materiais e imateriais) que nenhum outro animal é viciado em fazer , exceto as plantas das estufas e o animais capturados pelo animal “racional” para lucro ou diversão !Parece que a ressaca da saída das estufas ( e dos circos e zoológicos )é pesada e exige mesmo um esforço imenso de readaptação à vida fora do grande consumidor acomodado que o humano tornou-se . Deve haver outros propósitos além de gerar e consumir produtos e viver de estratégias na busca de uma vida paradisíaca idealizada. Agora é tempo de usar as estratégias do adulto no grande bando que compõe a nossa espécie e nessa estratégia a autoridade deve voltar ao indivíduo que tem uma longa jornada para reconhecer o que lhe faz sentido e tráz benefícios genuínos, longe do que lhe treinaram (com o seu consentimento). Morrer enquanto animal capturado no circo das ilusões , sair da sobrevida e vir para a vida é um imenso, ás vezes doloroso ,mas admirável processo de cura. Afinal, na infância a meta é sobreviver e se chegamos até aqui tudo foi válido, mas se a meta é viver, então o prazo de validade do velho contrato com o dono da estufa ou do circo precisa ser revisto !

Decisões, sequências e consequências!

Agora o ano começa para valer! Sempre foi assim com o mês de março! Nesse ano a coisa se repete apesar das nuvens escuras de 2020 não permitirem o ânimo que sempre vinha com a abertura da temporada de expectativas e promessas que o ano poderia reservar aos projetos e ideias que todos costumavam fazer para tal momento. Esse ano tem algo diferente, apesar das mesmas restrições de 2020. Essas restrições são difíceis de serem digeridas, mas parecem ter algum efeito colateral positivo no dia a dia do consultório médico que busca enfatizar o foco na saúde (ao invés do mero combate aos sintomas) e na manutenção da vida da pessoa que se confunde com a do consumidor que todos nos tornamos (que também se consome e adoece)! Ficar vivo é mesmo muito importante, pena que quando fazemos isso apenas por medo ou por vaidade para poder usufruir benefícios dos bens de consumo a coisa fica muito esvaziada. Não deve ser muito interessante continuar vivendo apenas por ter medo de não ser mais vivo ou então, de modo infantil, olhar para o suposto parque de diversões onde pessoas e produtos parecem estar aí para entreter e atender pedidos da eterna criança que só quer coisas o play ground e não pode perder tempo adoecendo. Incrível viver para consumir e gerar produtos de consumo - só pensar “naquilo” é muito monótono e não vejo isso em outros seres vivos. Existem outros prazeres e propósitos além desse personagem ditador de nossas vidas e que acaba por fortalecer apenas o ‘deus’ mercado e sua tirania. E a grande surpresa desse ano tem sido encontrar, na chegada dos casos novos, muitos jovens. Para maior surpresa ainda- homens ( que raramente apareciam) jovens! Chegam com boa saúde física já que a juventude é uma benção. A vitalidade é forte ainda e as transgressões à vida não geram multas tão pesadas no dia de hoje (aos quarenta, caso cheguem lá, surgem os “pontos na carteira”). A saúde mental chega bem afetada já que a visão de mundo que obtiveram nas telas, mídias mercadológicas e todos os especialistas tagarelas que falam demais para criar produtos e ideologias a favor da “ coisificação ” da vida e pessoas geram ilusões em excesso. Faltou apenas avisarem a esses alunos, ávidos pelo “acertar “, que ilusões cultivadas geram decepção com muito mais frequência que realizações. Que a colheita das decepções pode gerar devastação da saúde, a começar pelas emoções difíceis que se manifestam quando nós percebemos cara a cara com os limites, ineficientes ou longe da figura moderna e POP idealizada. São elas que levam às primeiras disfunções biológicas que geram sintomas (e depois lesões) que podem ser ilusoriamente combatidos pelo ante- qualquer coisa que a ctv. anuncia ! Felizmente o equívoco é percebido por jovens que se ligam em novos caminhos! Com alegria vejo a busca ativa desses jovens e a melhora rápida que podem usufruir quando se dão conta dos lixos culturais que absorveram de começam a escapar de todo dano progressivo que se construiria caso não decidissem apenas a suprimir sintomas que são na verdade os grandes aliados para que seja interrompida a trajetória de dano. Promete se realização e brilho e a colheita para o consumidor- de ideias , em especial (por comodismo, falta de opção, falta de informação útil à vida ou vaidade juvenil ) é de escuridão, frustração (dores e raivas que não podem ser vividas) e danos físicos emocionais e relacionais... Após 42 anos de medicina, sinto a alegria sempre esperada ao ajudar a vida que habita cada um que chega adoecido e que melhora com o remédio das decisões conscientes pró autocuidado ativo, saindo da passividade que prometia (ele acreditava) a felicidade ilusória. Essa pessoa poderá manifestar o seu melhor - não porque quer um sucesso equivocado ..., mas sim porque já entendeu que sem biologia não há ideologia que se sustente. Quando alinha se com essas leis básicas e universais todas as demais instâncias da saúde melhoram e as consequências são verdejantes !!!! Pode demorar , mas o processo já está em curso .

“Oh abre alas... que eu quero passar!!!” (Ou o carnaval que a vida pede!)

Haveria mais um carnaval, mas estamos impedidos de realizar o que, desde os tempos ancestrais, marcava uma celebração para marcar fim de ciclos no árduo cotidiano agrícola - após a longa jornada do plantio e cultivo, vinha a colheita com a celebração por todos os esforços e resultado. Em nome do agradecimento à divindade a festança ficava autorizada com dança, bebidas e prazeres do corpo e das demais instâncias do ser. Então, após validar o esforço, contenção e empenho, valorizava se também o oposto para que a habilitação para o novo ciclo se concretizar e a vida seguir adiante. Na cultura dos últimos 50 anos a coisa degringolou de modo exagerado pois o cidadão não está mais à mercê da agricultura e das intempéries do clima, mas de uma jornada de trabalho voltada ao conforto material. Todo esforço que se faz necessário para adquirir ou produzir os famosos bens de consumo valorizados pelo mercado, até que ele também se tornasse um produto a mais entre tantos produtos. Até o carnaval virou um valioso produto, assim como o lazer em geral. A fadiga de uma vida regrada pelos ditames do ritmo da produção a qualquer custo para o bem de “todos” (como se a apenas o conforto material fosse essencial) merece ser compensada com outras ilusões além dos benefícios do equivocado conceito de sucesso preconizado e validado. Mas até a compensação pelo “lazer” (que não passa de mais uma compensação que o mercado criou para continuar na “luta) virou produto inútil - Afinal, apesar da saúde deteriorada no físico e não físico (diabetes, hipertensão, artrite, câncer, depressão, ansiedade, insônia, obesidade com desnutrição), é preciso a compensação que é oferecida em treinamentos para gerar motivação. A validação dos polos opostos não tem acontecido de modo ativo e genuíno- as férias parecem férias.... Os carnavais não são mais do que explosão do que ficou contido enquanto os deveres imperativos (para prazeres supletivos) exigiam sublimação de alternâncias genuínas que geram o ritmo e o fluxo da ordem natural das coisas, tais como o amanhecer e o anoitecer em cada dia que vivemos. A alternância é o que possibilita a circulação da energia da vida – a integração dos opostos…. Caso fiquem esquecidos, os polos renegados em excesso, ficam comprimidos e geram mal-estar (sintomas), como quem retém o ar além da conta e acaba sufocado. A expiração será necessária qualquer custo- causando explosões ou implosões. Não são aceitos os subterfúgios do carnaval enquanto mero produto de compensação da cultura equivocada. Ao invés dos foliões de todos os níveis sociais, econômicos e culturais, pegarem o metrô na quarta de cinzas de manhã (após os grandes blocos e desfiles gigantes) com suas fantasias rotas após tanta descarga eufórica e compensatória, teremos em 2021 a ausência da ilusão de compensação para o sofrimento gerado (e velado) por outras ilusões que estão em nossa vida cotidiana (e não percebemos), a serviço de comandos que sufocam o pulsar da vida. Não teremos as célebres fotos dos pós desfile com as fantasias rotas e foliões exauridos prontos para voltar ao velho estilo de confinamento! Tomara que possamos ir além da bronca e tristeza que a falta dessas compensações nos trazem , que possamos fazer o dever de casa e corrigir os excessos de descasos para com a vida para os quais que fomos treinados ( e concordamos com o treinamento) e possamos , por fim, celebrar como se fazia na antiguidade- Fizemos a revisão , trocamos as bases do viver e podemos fazer o carnaval sagrado que celebra , regenera e prepara para o cotidiano onde o essencial tem valor de fato e nos coloca no fluxo por seguirmos as leis que regem a vida desde antes da cultura atual! Estamos vivos após um ano de dificuldades, aprendemos muita coisa e isso já merece uma festa e tanto!

A saúde e as bases do Recomeçar ciclos

Rapidamente as festas de saída de 2020 e de chegada do novo ano vieram e ficaram para trás nesse eterno fluir do tempo com suas demandas. Foram diferentes do que sempre foram pois estávamos mesmo cansados das mesmices e seus clichês. Muita coisa que sempre fez parte da rotina daquele tempo de dezembro foi deixada de lado, não porque optamos conscientemente por isso. A coisa veio de modo imperativo já que reclamávamos tanto da mesmice, a vida também resolveu reclamar da nossa mesmice ao tratar de assuntos importantes . Nessa hora pode brotar a criatividade ou então a fácil reação emocional viciosa para a qual somos muito bem treinados: alegria passageira de quem ganha algo que atende de pequenos desejos ou ranço( raivoso ou tristonho ) de quem se frustra e se acha fracassado por tanto empenho e pouca recompensa! Aqui talvez esteja o grande treinamento para que sejamos seres cada vez mais adoecidos- treinados a nunca sair da infância da consciência: movidos apenas por desejos de sucesso equivocado, tendo por base o que a criança tem como essencial - O esforço em ser especial ( para escapar do esquecimento ) aos olhos de alguém que lhe compense esforços a favor da inclusão a qualquer custo e então passar a existir Foi nessa repetição doentia que vivemos nos últimos 50 a 60 anos quanto o mercado cresceu e tomou conta da vida de todos nós , gerando comparações absurdas( para que o ‘eu’ sozinho ganhasse as medalhas e o topo) e criando metas inatingíveis para que chegássemos .... ao prêmio do sucesso ilusório e também produtos trazer alento para os adoecidos pelo imenso maltrato à vida de cada um de nós , do nosso coletivo , dos nossos relacionamentos e também dos recursos essenciais que o planeta oferece . Então já que a meta é a criatividade diante dos “apertos” , minha torcida como médico é para que eu ( e quem mais se ligar no tema da saúde) possa RECOMEÇAR com um bom adeus ás ilusões que esse patrão sem rosto exige que eu cultive para então me oferecer produtos de recompensas ( que quase nunca valem a pena) e também de socorro para os detonados guerreiros da conquista de sucesso individual idealizado ....Afinal, sem um ‘produto” que vem de fora não pode haver alegria e nem suporte para as dores e broncas que os feridos carregam em seus corpos e mentes!!!. Que a nossa base de sustentação ao longo de 2021 possa ser os nossos pés fisicos e não físicos já que eles representam o grande recurso a nos sustentar na postura vertical que diferencia os seres humanos das demais criaturas. Erguer-se a partir dos pés ,depois do capote das ilusões criadas pelo polo dominante da cabeça( que adora julgar, comparar e controlar), pode nos colocar numa nova direção ( ou não). Vai depender de cada um resgatar novos pontos de apoios e seria importante lembrar que isso vai exigir um certo empenho como qualquer viciado precisa cultivar para escapar da escravidão de seu(s) vício(s).

Natal, saúde e quarentena!

Todo fim de ano tráz consigo uma atmosfera única na qual a grande maioria se envolve de modo positivo . O momento nos leva a aberturas e tréguas no cotidiano tão consumido pelos inúmeros itens do viver ,com os afazeres intermináveis e relações exigentes! Alguns, devido às más memórias de acontecimentos e sentimentos despertados anteriormente, sofrem de novo com as festas e colocam o período natalino em uma prateleira de artigos indesejáveis, esquecendo-se que quase nunca é o fato ou a época em si que vale para nós . Tudo depende de como fizemos as leituras possíveis para cada um, com o foco especifico dos nossos olhares sobre coisas, pessoas, acontecimentos , sensações, sentimentos e emoções. Chega agora um Natal inédito após uma caminhada árdua desde março de 2020... São nove meses de uma gestação que pode fazer nascer em nós um azedume rotineiro das frustrações ( quando somos forçados a fazer algo de modo diferente ) ou uma LUZ nova para ler todo o processo individual e coletivo ao qual fomos submetidos e reagimos. O automatismo vai precisar ser revisitado e a criatividade precisará ser chamada para ajudar nas decisões da celebração que será forçosamente diferente. Esse automatismo não nasceu do nada- ele foi construído pela repetição do nosso modo de olhar e pensar infantis sobre coisas e acontecimentos .Sempre buscou-se evitar o que foi taxado de negativo ( por ter despertado emoções desagradáveis) por nos ameaçar em nossa frágil segurança... Isso criou uma cultura de lembrança do coração humano( ferido e fechado ou saudável e aberto ) para essa época. Aprendemos a tirar conclusões de como evitar sentir emoções que não eram confortáveis buscando agir de modo muito egoísta e mascarado para que nos dessem suporte e inclusão .Ficamos estrategistas e sedutores para sobreviver , mostrando nossas facetas mais esperadas pelo outro(para que o outro satisfeito, atendesse nossas demandas)...Até ficamos egoistamente altruístas para seduzir –Afinal , o altruísmo é um valor que todo grupo sempre vai validar e abençoar.... A cadeia de validação de repetição desse modo infantil acaba por nos salvar no início da jornada e depois nos adoece pois escraviza( já que é preciso muito esforço) para dar conta de criar o paraíso fraterno na Terra( muita decepção fica acumulada também), de acordo com o que cada um idealizou como tal! No hemisfério norte o Natal é a festa da Luz , no auge da escuridão do inverno – um lampejo da lembrança da transitoriedade das dificuldades que o escuro e o frio trazem e também uma lembrança de LUZ E CALOR recolhidos internamente, com todos os simbolismos que esses dois elementos contém, incluindo aí o amor, a fé e a inclusão amorosa que sejam mais genuínas e não apenas da fonte intelectual viciosa que é alimentada nas redes sociais! Nós, no hemisfério Sul estamos vivendo no auge da luz e calor do verão externo quando chega a FESTA DA LUZ. Precisamos fazer o inverso, ir para dentro e conhecer o que temos de gelado, isolamento, escuridão , egoísmo e ressentimentos acumulados por apostar na expansão do nosso ego infantil que parece teimar em não entender que viver de modo infantil é apenas autorizado às crianças que trocam espontaneidade e expansão genuínas por prometidos ( e quase nunca cumpridos) benefícios de terceiros ... Nesse sentido, as trocas automáticas vigentes ficaram mais escassas em 2020 com a quarentena.. Sentimos a ressaca das restrições e foi duro chegar até aqui. Podemos ficar mais saudáveis em 2021 ,caso a LUZ da consciência nos leve a mais espontaneidade genuína , ao amor por nossa integridade , à coerência pessoal ao agir e à demonstração da nossa luz e calor que estão além das meras performances estratégicas de “gente de bem “ que acumula muito lixo com as decepções , fica adoecida e adoece todo seu entorno.

A cultura da Distração que nos trai e nos ADOECE!

Em inglês, o “entertainment” é uma palavra que nos remete ao lazer , a hollywood e a tantas coisas relacionadas ao prazer para compensar a labuta da semana árdua (onde somos chamados à dureza da vida que exige nossa ação para materializar o que tanto necessitamos e também desejamos). Atender ao básico e todos quesitos não básicos que tornaram se essenciais pede um grande esforço e esse esforço merece compensações ! Quanto mais esforço , mais merecedores de alguma recompensa nos sentimos- seja no amor, no conforto material e no “relax” que nos descansaria .Mas até o descanso virou um produto que deu muito certo e ganhou brutal mercado, a ponto de tornar-se uma indústria a criar o conforto material e emocional que nunca chega pelo trabalho dos incautos . A indústria então nos convidou a mais um produto poderoso - uniu o trabalho exagerado e sem sentido com algo para refrescar cansaço que nunca acaba! Como a frustração por todo esse esforço é a tônica de todos ( das crianças ao idoso )e ela gera muita dor e raiva que não devem ser reconhecidas e expressadas, o idealizado ganhou muito espaço - Na construção de quem devo ou não devo ser para fazer parte da família, empresa ou grupo ( ou seja :SER UM SUCESSO ), até nos ocupando de produzir e consumir produtos que nos distraem sempre de nós mesmos, a ponto de gerar a cultura vigente no ocidente :não estamos mais presentes à realidade do nosso corpo( cheio de emoção retida a afetar nossa biologia em nome da imagem idealizada), das nossas vidas e relações, do atendimento do que DE FATO necessitamos para ficar com vida e saúde até o cumprimento da jornada biográfica! A autoridade sobre nossas decisões e ações fica sob o comando terceiros ( visíveis ou não visíveis), e ,assim como na infância onde nossos pais sabiam de tudo , somos traídos por nós mesmos e adoecemos. A escolha por morar nas distrações e dar atenção ao escapismo do que sentimos nos garante bem estar inicial , nos afasta da realidade pessoal e cria uma cultura do “mundo da lua” enquanto alimentamos imagens e projetos do mercado das ilusões . A doença, fruto da traição ao desatendimento do que de fato precisamos , é o recurso que sobra para a vida nos fazer descer ao real novamente e atender o que ficou esquecido. Lembrar do amor e da responsabilidade por nós mesmos pode fazer bem à saúde, assim como sair da passividade das telas do ‘entertainment” e do sofá alienante. O cuidado de si mesmo pede atenção , presença e dedicação à vida que nos habita , mas isso pode parecer heresia no mundo do trabalho sem sentido e da lazer alienante que nos afasta do essencial (enquanto consome nosso precioso tempo ) e nos mantém crianças abusadas ,com nossa permissão ! Significado de Distração:substantivo feminino\Falta de atenção em relação ao mundo exterior; desatenção.Aquilo que resulta dessa falta de atenção; irreflexão, inadvertência.O que se faz por entretenimento, passatempo, divertimento; diversão.Estado de quem está completamente voltado para si mesmo.\Etimologia (origem da palavra distração). Do latim distractio.onis, "separação". Do Latim DISTRAHERE, “separar, puxar em diferentes direções”, formada por DIS-, mais TRAHERE, “puxar, arrastar”.

A quarentena e o dever de casa com nossos padrões!

A pessoa resolveu marcar sua consulta depois de 15 anos já que resolveu cortar a relação com seu médico por ter considerado uma desconsideração o fato de ter esperado um contato após consulta para uma nova receita e nada ter acontecido. Furiosamente resolveu , sob o domínio da indignação raivosa, acabar com uma relação que durava anos e ponto final. Julgamento definitivo pelo imaginado depois de ter sentido descaso e tchau doutor!!!!! A pessoa ,durante a quarentena , vinha com sintomas clínicos muito desconfortáveis e persistentes ,com dores abdominais importantes e desarranjos intestinais . Buscou o contato para uma consulta com o antigo cuidador e o reencontrou. Relatou o motivo do afastamento e recebeu a informação de que a receita de 15 anos atrás deveria ser feita no retorno que ela mesma não agendou por ter ficado com a certeza de que o médico a enviaria – Como não enviou ,não fez contato , considerou isso um descaso, que a feriu gerando dor, decidiu afastar se cega de raiva e pronto . Na consulta de 2020 , feitas as investigações de praxe sobre os sintomas, também foram considerados os acontecimentos recentes e o que sentiu diante deles, o que pensou a partir do que sentiu e como agiu!!! E aí veio uma surpresa : uma funcionária do prédio onde mora falou mal da pessoa dela que , por interfone , ouviu conversas si mesma como se ela não fosse a pessoa em questão do outro lado do fone! De novo , sentiu –se desconsiderada e , indignada( sem se dar conta que a funcionaria fez com ela o que ela fez com seu médico há 15 anos) viu se sem apoio da síndica ao reclamar ! .Sentindo dor e sem saída vingativa depois de julgamento recebido de forma sumaria e sem poder .... . Adoeceu . Um cenário totalmente diferente mas a mesma leitura e a mesma reatividade emocional automática e repetitiva que esperou por 15 anos para ser considerada e cuidada apresentou se ! Um caso dentre inúmeros casos em cada vida e endereço onde o “retiro’ forçado mostra uma das suas inúmeras facetas e funções: ajudar a saúde física e mental pelo trabalho da consciência que , obinubilada, faz a repetição de padrões antigos serem chamados à revisão para que o manejo das frustrações das expectativas se atualizem e padrões automatizados deixem de serem utilizados só porque foram úteis a sobrevivência das mazelas da nossa infância e deram certo! Sobreviver era a grande meta, mas o desafio de hoje é caminhar para mais saúde através de uma política de VIVER com qualidade. Para isso estão aí nossos sintomas a sinalizar que a repetição de leituras sobre o que nos acontece pode gerar saídas que não seriam as mais adequadas nos dias de hoje. Antes de sair batendo porta pela tendência de indignar-se com desconsiderações reais ou imaginarias( que sofremos e também impingimos ao outro) é preciso um cuidado de alongar espaços entre o impacto e a ação reativa para encontrar novos repertórios e sair da ilusão de controle - Apenas podemos controlar se vamos continuar crianças velhas com velhas decisões e ações que prometem segurança( que trouxeram um dia ) mas já estão com prazo de validade vencido e geram sintomas hoje. Atualizemo-nos ou mais e mais acontecimentos a vida vai “aprontar” para que possamos nos “tocar”! Um brinde ao novo que está disponível ! Ou ao velho e repetitivo hábito que é a velha roupa que não nos serve mais , como dizia o poeta e a Elis cantava!

A neurose nossa de cada dia no adeus à falsa "largueza”

Mais um mês se aproxima nessa travessia de privações de coisas tão aparentemente importantes para que possamos preservar o que de fato interessa- a nossa vida...Seja pelo medo do desconhecido que a morte e pandemia nos tráz , seja para que a vida possa a sair da mera sobrevida e começe a acontecer de fato. Assim chega o mês de setembro , marcando um fim de inverno , onde as coisas voltam à vida depois das restrições da estação invernal. Sempre achei incrível notar o efeito das primeiras chuvas - os galhos aparentemente secos ganham um verde novinho em folha! Elas cumprem o ciclo de perder coisas para preservar a vida no outono. Não sei o que sentem mas , se tiverem alguma forma de apego ,também devem sofrer como sofremos quando fomos chamados ao abrir mão de tantas facilidades e abundâncias falsas que, na verdade , acabavam com a nossa vitalidade e saúde física e não física... Foi muito esforço para cair no time dos que teriam as vantagens do “ouro de tolo”, famosa música do Raul Seixas ,onde alguém não fica feliz ao se dar conta que quase morre para poder comprar um corcel 73!( faz tempo... e eu estava no fim do colégio!!!). Parece que o tempo das privações , dentro de um limite importante-(já que todo excesso é danoso sempre), pode ser útil para que possamos validar o oposto do que era validado até então. Nossos antepassados imigrantes sofriam demais para ter o mínimo com máximo esforço , mas tinham melhor saúde emocional que o cidadão dos dias de hoje (até a quarentena)...Veio uma primavera aparentemente boa quando surgiu o grande mercado .O trabalho compensava pelo básico da sobrevivência e também premiava os certos luxos da emergente classe média que cresceu ... Ela refestelou-se no consumo e inteligência racional como sendo a única válida e acreditou que o paraíso material daria conta do céu aqui na Terra para apenas poder usufruir dele. Quase chegou lá - o supérfluo tão valorizado virou essencial e nos distraiu consumindo nossa energia, afetos e relações com forte deterioração da saúde emocional e biológica( pela vida sentada , com cabeça a milhão e o péssimo sono e sexualidade e pela comida envenenada e “fast’ engolida !!!) Sei como foram insuportáveis os atendimentos onde a doença só crescia mas a neurose do sujeito recusava se a ceder ao essencial para resgatar o bem estar que somente a saúde promove .Seria preciso perder folhas velhas e plastificadas mas o apego e o medo de cair na miséria (na qual já se encontravam e não sabiam ) gerava um sair dos trilhos rotineiro nos tratamentos e, com isso , muita energia foi desperdiçada pelo paciente e pelo profissional de saúde ( não de doença)! Aí veio um inverno para a cultura que exagerou na aposta do conforto material e tivemos que perder folhas , sentir medo de soltar as mãos à força para preservar a vida .Veio a privação que aos poucos foi assimilada e muita gente está se dando conta de que está ruim mas está bom!!!!! Sómente agora se dão conta que o antigo “ bom “prometido pelo mercado de idéias ,produtos e vidas era, na verdade , muito ruim.... Cuidar do essencial é mais simples !Cansa menos . Claro que atendi muitos apocalipses desde abril com choros , medos e ranger de dentes de náufragos na zona de arrebentação. Com muita alegria , observo muitos milagres onde o essencial passou a ser resgatado e vi saltos importantes acontecerem, Estamos muito distantes dos antepassados com suas imensas lutas de sobrevivência. Estamos nos afastando do que prometia o paraíso ilusório que nossa neurose construiu e podemos ir para uma cultura de inteligência usada a favor da vida mais saudável no âmbito individual , familiar e coletivo...que nossa vaidade ,preguiça ,medos e desejos infantis fora de lugar não nos tirem do caminho ! Já que sobrevivemos até aqui.....Primaveremo-nos!!!!

Construir saúde ou gerenciar sintomas e continuar doente?

Assim como as construções precisam de alicerces para sustentação das paredes e tetos é importante para um sistema de tratamento médico que visa a saúde e não a doença a observação e consideração dos alicerces da sua vida saudável! Todos já sabemos que estamos excessivamente condicionados ao ESTILO DE VIDA que maltrata a vida de modo contínuo e exagerado ,mas queremos a qualidade de vida ilusória prometida pelas corporações do mercado ! O automatismo do dia a dia perpetua esse estado de coisas de modo extremamente danoso ! O tempo que tanto seria necessário para observar o que é feito e leva ao andar em círculos parece estar disponível e seria um desperdício manter as mesmas ilusões que cultivamos todos até aqui! Então a sugestão do mês é olhar com carinho para o ESSENCIAL já que sem isso o resultado , por melhor que pareça ser, é apenas contemporização e a doença vai avançar sempre! - SONO e RELAXAMENTO - o corpo tem no sono um grande remédio e esse remédio precisa ser contemplado para atuar de modo positivo ( horas de sono, qualidade do sono, ambiente do sono, as telas e a luz azul das mesmas, os noticiários e filmes estressantes antes de dormir ).Ho rmônios essenciais e neurotransmissores dependem desses detalhes ( melatonina\cortisol\serotonina, etc). O corpo precisa que o ritmo de cada órgão seja respeitado na jornada diária para que ele cumpra sua função de modo adequado ( ciclo circadiano) - EXERCÍCIO , atividade física e movimento- definitivamente o corpo humano não foi feito para o sofá, o escritório e o carro. Muito menos para esforçar-se além da conta nas academias em nome de resultados que nada tem a ver com a saúde. - NUTRIÇAO E HIDRATAÇÃO - Convivemos com excessivas orientações mas nem sempre o básico ( variedade qualidade de alimentos, afastamento dos industrializados, mastigação vagarosa, consciência ao escolher e preparar alimentos , ingestão adequada de ÁGUA) tem recebido atenção que merece .Todos precisamos rever como lidamos como que comemos e bebemos pois não podemos terceirizar decisões nesse universo de captação energética essencial. -STRESS E RESILIÊNCIA- os termos são muito citados mas não basta apenas saber sobre eles. Temos excesso de informação e pouco comprometimento com as nossas mudanças . Estímulos sempre gerarão demandas e cabe ao indivíduo perceber o padrão de lutar contra ou aceitar de modo excessivamente passivo demandas injustificadas que são aceitas por medo , vaidade ou mero descaso para a com a saúde -RELACI0NAMENTOS E TRABALHO EM EQUIPE – as relações são a principal fonte de conflitos e sofrimento emocional . Pouco temos de preparo para caminharmos para a maturidade emocional que permite a interação saudável( onde a abertura e o fechamento para o outro na família, trabalho e sociedade ) geradora de saúde quando acontece de modo harmônico! Então podemos usar esse nosso tempo ou desperdiça-lo mais uma vez ... A saúde pede atenção e dedicação ao trabalho de auto correção daquilo que reconhecidamente é feito contra a nossa vitalidade . É no trabalho do dia a dia e no passo a passo ... que , aos poucos, aparece o resultado- isso vale para o adoecimento e para a cura!

A sensação de segurança fonte de calma e saúde depende de algo lá fora?

Caminhamos adentrando a jornada da pandemia e já estamos em fases muito distintas das iniciais...Já tivemos chances de aprender muita coisa desde o impacto emocional do começo onde a onda de medo nos assolou . Depois de vários capítulos vividos e sobrevividos estamos a lidar com o a duração prolongada do grande evento de 2020 e a confusão e desconfiança das informações e diretrizes ! Estamos vivos e isso já é um motivo para olhar com gratidão tudo o que a vida e nós mesmos pudemos fazer para manejar as ondas que impactaram e não deram descanso ao longo das semanas. Tivemos de , forçosamente, sair da ilusão infantil (individual e coletiva) que o ambiente externo e quem ocupa o cargo de papai e mamãe iriam prover aquilo que nossa biologia precisa construir para funcionar bem – a sensação de segurança material e emocional .É desse lugar não material que a biologia irá captar informação para trabalhar e manter a vida com estratégias de luta, fuga e até paralisia...alguns animais até fingem de mortos para salvar a própria pele! Também é desse lugar não material que nossas expectativas reais( ou fora de realidade ) podem ser realizadas ou frustradas . E olha que desde o berço acumulamos muita experiência em jogar as redes para o mundo familiar e social na esperança de alguém de fora garantir a tão esperada sensação de segurança material e emocional . Muitos já estão experientes no manejo das decepções com suas colheitas de tristezas e raivas acumuladas, na maioria das vezes e expressadas através do adoecimento. Cada um está no seu ponto de consciência rumo a uma possível adultez , mas os últimos tempos mostraram que lá fora temos apenas corporações a legislar com promessas éticas que nunca se cumprem pelos mais variados motivos ( da incompetência à malignidade) e a nossa saúde fica à mercê do assombro ao se dar conta das manipulações, leviandades e maldades corporativas que tanto fazem brotar a consciência de que a solução para a vulnerabilidade que gera a insegurança não está MESMO com terceiros ... Então, mais uma vez, é necessário um passo a mais para buscar em algum lugar mais seguro , dentro de cada um, em que se possa confiar e acalmar esse mundo interdependente ( visível e invisível ) de cada pessoa para que a saúde se reorganize ... Nesse caminho , que não sabemos onde vai dar e nem quando vai alargar-se, aprenderemos a sair da ingenuidade das crianças que acabam feridas por confiar em apoios indevidos que a educação tanto valorizou. Então, esbravejar a raiva... entristecer-se e manejar o medo , com as decepções com essas estruturas externas que esquecem o indivíduo ,pode levar o coletivo a aprender a cultuar novas bases para s.e apoiar são tarefas árduas que a pandemia nos convida a realizar , com falsa ajuda corporativa vigente até aqui! Mas o processo precisará acontecer com cada um para reverberar no todo.

Vulnerabilidade é fragilidade?

Ao nascer, todos experimentamos a condição de estar à mercê do ambiente e das pessoas que nos acolhem na condição de turistas recém-chegados à grande “bola azul”! Para esse turista, tudo é estranho e novo e vai precisar dos suportes que esperava encontrar para, de fato, entrar na vida e viver a aventura! Sabe pouco ou quase nada dessa empreitada, e a capacitação é rudimentar para “dar conta” sozinho. A “bola azul” é uma atração turística sedutora quando olhada na agência de turismo. No pacote, ficam incluídos benefícios e facilidades que prometem a segurança, vendida e assegurada pelos direitos do consumidor. Fica instalado então, o clima de viagem dos sonhos, onde o desafio é apenas o desfrute prazeroso do produto do outdoor! Fica incluída aí a sensação de proteção, segurança e potência falsa, promovida por ser cliente de uma agência de qualidade, que foi contratada depois de escolha feita com critérios rígidos. Então pagar, pegar as malas e, com muito vigor, fazer a partida nessa viagem que promete realizar as idealizações... Percalços acontecem, porém... e são frequentes as imagens de turistas desesperados em aeroportos, devido a golpes ou intercorrências aleatórias, a desmantelar o idealizado e gerar perrengues variados que podem ir da mera privação alimentar, à falta de uma cama confortável (às vezes dorme-se em aeroportos!), atrasos de vôos, gente que é mal educada ao informar ou que não sabe nada do lugar... O que não estava explícito no contrato veio à tona e a sensação de proteção, garantias e segurança, viram vulnerabilidade confundida com fragilidade! Nessa hora, a reação emocional é inevitável, pois o medo vem como uma onda e pode gerar muita raiva ou paralisia... Muita energia será consumida para debater-se com o inexorável, até que, no silêncio do cansaço ou da lucidez, começa um processo de busca de capacitações que estão no turista e ele nem se dava conta. O caminho das pedras é reconhecido e percorrido com ações por ele implementadas, até que a volta para casa acontece... A onda emocional, confusão e reatividade a todos e a tudo, geralmente sobe o domínio dela, fugimos da fragilidade que nos assusta e da vulnerabilidade que evitamos tanto ao longo da biografia. Após essa onda, pode também vir a memória da POTÊNCIA que cada ser tem em si e que trouxe cada um até o ponto de hoje... As dificuldades podem ajudar na lembrança dessa potência nada frágil, que mesmo na vulnerabilidade (e talvez, apenas na vivência dela) é acionada e pode trazer decisões e ações inspiradas nesse ser, que atua conforme surge a demanda da experiência e encontra em si a habilidade que preserva-lhe a vida! Que essa inesperada, confusa e alongada quarentena, que desafia nossa cultura e seus conceitos ilusórios de segurança e é mantida pelo exagero do uso da inteligência racional, nos conduza a um patamar onde possamos agradecer e não mais temer a vulnerabilidade. Para isso, nós, os turistas da bola azul, deveremos reaprender a confiar em nós mesmos e nossas capacitações e nem tanto nos elementos externos que nos guiam (através da sedução) e nos deixam escravos de ditames que não são úteis a nós como indivíduos e nossas vidas. São apenas úteis para os consumidores que nos tornamos por influência do externo (com nossa anuência ingênua e preguiçosa)! Caso isso aconteça, a saúde física e não física irá, revigorada, agradecer! Junto com a saúde de cada um fortalecida pelas descobertas nos tempos vulneráveis (potências, habilidades e criatividades esquecidas), o coletivo também poderá tornar-se mais saudável também!

A quarentena e a ESPERA!

Caminhamos para os 40 dias da quarentena que avançou além da Quaresma e atravessamos múltiplas etapas desse grande “retiro” forçado. Uma pausa foi instalada pela vida e pelo sistema gerente do mundo físico. Depois de um forte impacto, uma possiblidade de adaptação possível (que ela não repita o velho que havia antes). Esperar não é o nosso ponto forte, afinal, até há pouco, os recursos disponíveis faziam com que surgisse muita coisa à mão num estalar de dedos ( ainda que sobrassem muitas parcelas no cartão para dar conta depois!). Essa perda da capacidade de perceber o ritmo foi um condicionamento cultural que nos transformou em meros consumidores ávidos pela saciedade imediata de desejos materiais. Tornou-se “normal”, mas esse “normal” já faz parte de uma doença não visível que gera sintomas visíveis (e que não percebemos de onde isso viria) no corpo e na qualidade de vida. As regras que regem a vida pedem que, a partir das ideias, caminhemos com disciplina num passo a passo até que a ideia torne-se materializada... e isso leva tempo! Afinal, o cotidiano é “touch” apenas para decidir se a compra vai ser “crédito’ ou “débito” (basta apertar a tecla). Para TODAS as outras coisas, os processos passam pelo mesmo processo que o agricultor ou o jardineiro aprenderam a ACEITAR se pretendem ter SUCESSO.... ou seja, ter ideias, investir, dedicar–se, esperar e, se tudo correr bem, colher o resultado. No quesito “SAÚDE” de cada um, o mesmo processo! Isso não pode fazer por nós, EXCETO quando somos crianças, é que a vida nos autoriza a não sermos responsáveis pela nossa saúde e bem-estar. Fora essa exceção dada aos filhotes, não poderemos ir à loja de conveniência da saúde, escolher e teclar “credito” ou “débito”. Até há pouco acreditávamos nisso - podemos nos descuidar que alguém dará um jeito!!! Agora é imperativo caminhar para a adultez e auto responsabilidade! Enquanto fazemos o exercício da espera dos próximos passos, podemos também torcer para que cada olhe e dedique-se ao dever sagrado de zelar pela vida em suas diferentes instâncias (físicas e não físicas ) e, com isso, colher uma colheita de bem-estar físico e comunitário, apesar dos pesares. Assim deixamos nosso lado infantil e adoecido para trás e traremos para nossa vida o lado leve que vem com quem se dedica ao zelo pela vida! Afinal, quem espera (e atua, cuidando da vida) sempre alcança!

O Eu e o Nós

O silêncio e o vazio chegaram de repente e se instalaram de modo imperativo sem pedir licença. O confinamento e a incapacidade de "re-agir", assumindo o controle e a luta anti-isso ou anti-aquilo, (que é nossa grande especialidade treinada com grande esmero), nos assustaram de modo impactante e fizeram derreter toda máscara bem ajeitada que o aculturamento prometia ser a grande solução. Afinal, foi reagindo para gerar a tão esperada sensação de segurança, que chegamos até aqui enquanto espécie. As leis que modelaram nossa identidade pessoal, familiar e de cidadania, tiveram que abrir espaço para outras leis: para aquelas que os antepassados tiveram de suportar até acharem os recursos para “dar conta” de ficarem vivos e fluir com controle diante das adversidades básicas da vida na Terra - a sobrevivência biológica foi a grande meta! As leis que regem a vida desde há muito e também ficaram para trás, graças ao passo a passo da história, conseguimos escapar do estar vulnerável e com medo. Foi construído um viver todo baseado em reagir e pensar em como livrar-se do desconforto. Nos afastamos tanto do sentir, que ele veio nos atingir em cheio e nos assustar de novo com todo o risco material. Reagimos tanto e geramos adoecimentos de outras instâncias, e cá estamos de novo com a vida ameaçada, e com emoções desconfortáveis, mas muito necessárias para seguir adiante com outras metas. O que sempre foi taxado de negativo para nós, foi algo a ser evitado e que serviu de combustível para seguirmos adiante, buscando soluções reativas para sobreviver. Ajudaram a construir muito progresso de alguns aspectos importantes no mundo material e emocional. O grande problema são os efeitos colaterais desse exagero de reatividade: eles nos trouxeram de volta para a materialização do que sempre foi temido e nos desnuda para que deixemos para trás a velha construção, onde livrar-se da vulnerabilidade foi a meta. Será preciso acolhê-la pois, apesar de nos assustar, ela abre espaço para a busca de ajuda do próximo e do divino (algo que ficou esquecido na cultura do EU-sozinho e cheio de sucesso)! Quando a questão material parecia resolvida para muitos países, povos e pessoas, o mundo emocional e humano estava adoecido e pobre pela cultura do EU-sozinho que busca sucesso dentro de um suporte que a cultura oferecia, para quem se movia pelo medo... De um lado a sobrevivência no conforto material (com destruição de recursos da Terra) e na pobreza não física (relacionamentos e emoções e religiosidade), e de outro a sobrevivência com a escassez de recursos materiais (já que esse sucesso não é para todos) com um intelecto mais livre e um coração mais aberto... Reagir menos pelo intelecto e gerar ações que fortaleçam a vida, sem a força do combustível do medo, talvez seja o grande desafio para o que vem depois dessa onda gigante. Agir mais de modo humano e solidário, talvez o caminho de retomada da valorização do que os antepassados tanto tiveram que considerar para que chegássemos até aqui. Essa ação pode gerar um novo patamar de saúde individual e coletiva que há tempos é almejado, mas pelo empenho das corporações e cristalização da velha cultura, jamais saiu do papel. Nesse momento crítico, a ação de cuidados para consigo mesmo (no melhor sentido da palavra), somente se torna possível porque foi preciso lembrar de T O D O S novamente e esquecer o EU idealizado, cheio de sucesso e tão esquecido que faz parte de um todo.

Dr. José Carlos T. do Vale

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